Nov 13, 2007

maternidade

hoje o dia correu muito bem.
não, este post não é sobre a R., este é sobre mim.
fui mãe há 7 semanas de uma menina muito saudável, que graças a Deus cresce feliz.
mas todos os dias estranho a minha nova condição, estranho a minha filha, estranho o meu marido, estranho a nossa nova vida.
nunca fui muito ligada a crianças, não tenho especial fascínio por bébés, por vezes chegavam mesmo a intimidar-me.
nunca me apeteceu, e mesmo hoje me custa, conversar sobre bébés.
o G. ocupou sempre este lugar ao pé das nossas amigas mães.
leio muitos blogs, não comento assim tantos, sobre bébés, porque me sabe bem ler quem está a viver o mesmo que eu, e porque encontro sempre uma ou outra dica útil.
sou mãe e estranho muito esta condição.
não sou paciente, sempre fui assim.
a minha paciência escapa-se-me em questão de segundos, perco a cabeça, estou sempre à beira do limite.
dentro de mim uma luta constante, uma culpa insuportável.
tento olhar para a R. para ganhar fôlego.
tenho medo que ela perceba a minha ansiedade e a minha falta de paciência, porque às vezes faço tudo mecanicamente.
custa-me ter alguém dependente de mim para tudo, desejo-a maior, mas sei que depois vou ter saudades de a ter assim pequenina.
às vezes apetece-me engoli-la e pô-la de novo na minha barriga.
mas a cada dia que passa tudo tem vindo a melhorar.
nunca acreditei que ia olhar para a minha filha a primeira vez e me ia apaixonar.
o que aconteceu comigo foi que quando a vi pela primeira vez a senti minha, um sentimento de protecção para lá de mim.
mas não deixei de a sentir uma estranha.
em 7 semanas fomos criando os nossos laços.
a cada dia que passa sinto-a mais minha, gosto mais dela.
gosto muito de gostar dela, e sei que para sempre vou gostar ainda mais.
hoje foi um dia bom porque eu não "fiz birra".
e rimos e conversámos muito as duas.
quero-me assim a conversar muito com a R.
a ser mãe dela.

8 comments:

Sofia Quintela said...

Ai minha querida revi-me tanto neste post... também eu estranhei tanto o Rodrigo e a minha vida naqueles primeiros tempos. Ficava que tempos parada a pensar n minha nova condição e de como tudo estava diferente e de como quando olhava para o lado o me filho estava sempre a ali á espera que eu tratasse dele... tudo muito estranho e eu nao me apaixonei logo á primeira vista, foi crescendo aos poucos, mas tive logo esse sentimento de posse de pertença, de o sentir muito meu. Mas agora parece que sempre foi assim... apesar de ainda me custar a a creditar que ja estive gravida e que o tive e que o tenho ali comigo, parece que nem passei pela gravidez... é tão estranho...

gralha said...

Estes primeiros meses nem sempre são o idílio côr-de-rosa que toda a gente pinta. Mas vais ver que, com as rotinas instaladas, a paixão vai ser assolapada.

uma alface à beira mar plantada said...

Visito o teu (espero poder tratar-te por tu) blog frequentemente e gostava de te dar os parabens porque o considero muito "real" e verdadeiro.
Decidi escrever por que me revi nas tuas palavras. Embora nao tenha filhos, ainda, a minha relaçao com crianças é muito semelhante. Acho que melhorei um bocadinho com a chegada dos sobrinhos.
Nunca comentei mas achei que este desabafo merecia um abraço "amigo" (embora nao te conheça pessoalmente) pois considero que é preciso ter coragem para seres tao sincera. Normalmente as maes recentes descrevem um quadro muito cor de rosa.
Desejo-te toda a felicidade do mundo neste teu novo papel. Muita saude para ti e para os teus, mas principalmente para a tua bonequinha linda.
PAZ!
Ana

Oficinas RANHA said...

Eu não sou mãe. Sou enfermeira de um serviço de neonatologia e, sou uma estudiosa da parentalidade (maternidade e paternidade). Este teu testemunho é, podes ter a certeza, saudável e muitissimo frequente. Menos frequente é encontrar um escrito com tanto sentimento, sem pretensões e sem floreados literários.
Se me permitires copio-o. Posso??
Beijnhos da Ana Cristina

pimenta rosa said...

olá ana,
é um desabafo o mais sincero possível, se te for útil então copia-o.
um bj*

Oficinas RANHA said...

Brigada
Ana Cristina

Dijambura said...

Fez-me mto bem ler este post! Tb eu sou mãe recente, quase 3 semanas!Eu sempre adorei crianças, sou psicóloga educacional e qdo engravidei achei q td seria fácil e cor-de-rosa! Afinal foi bastante duro, desde amamentar até a toda alteração da minha vida pessoal, a dependencia total da bebé, o receio de n a satisfazer, etc...tb nunca fui paciente e este é o maior teste às minhas capacidades fisicas e intelectuais. Amo-a loucamente mas ainda a estranho! Adorei o teu testemunho!!!

Sílvia said...

Este teu post esta lindissimo, lindissimo. A tua sinceridade e realmente te louvar. Tambem eu nunca achei piada nenhuma a bebes e achava ridiculo ficar ali a adorar um ser que pouco ou nada fazia e que ainda por cima me pareciam todos iguais. Nunca tive qualquer pretensao sequer de ser mae. Quando soube que estava gravida o meu mundo deu uma volta e fiquei a pensar para comigo o que iria fazer. Nao sou contra o aborto, compreendo que certas pessoas precisem de recorrer a ele. Mas, mesmo sendo quem sou, ou melhor, quem era nao coloquei essa hipotese. Senti desde o primeiro segundo que sim, que sim queria o meu bebe. Quando a colocaram no meu peito, ainda ligada a mim pelo cordao apaixonei-me perdidamente. Mas o papel de mae, estranhei-o muito tempo. Desculpa o testamento. Fizeste-me pensar.

 
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