Apr 29, 2008

castanho, ruivo, platinado, às manchas



o meu cabelo nos últimos dias.
o drama capilar pelo qual passei ou a mania de inventar, quando devia estar muito sossegada.

o meu cabelo, já de si um tufo encaracolado meio juba meio choque eléctrico, indomável, rebelde, que me dá um ar desgrenhado, já foi de várias cores, sempre nos tons loiros, mas espaçados no tempo, NÃO NUMA SEMANA!

há cerca de 2 anos decidi que "nunquinha" mais eu faria madeixas (ou nuances ou pintar), agora iria ser uma feliz cabeça de tom natural.
e de há uns tempos para cá eu estava feliz com o amarfanhado de cabelos castanhos que me emolduram o rosto.
estava...
porque depois do parto, os meus cabelos decidiram não mais viver na minha cabeça, e assim começou a fuga da minha farta cabeleira.
caiu, caiu, caiu... a preguiça faz-me coleccionar ampolas capilares que não vão estar noutro sítio senão na caixa, na casa de banho, até ao dia que forem para o lixo.
para além de uns fiozinhos brancos que começaram a criar raízes cada vez mais fortes ao pé das orelhas.

então uma bela manhã achei que estava na hora de voltar às toucas e pratas, às tintas e descolorantes, e lá fui eu ao cabeleireiro.
ao último salão (adoro este nome pomposo) onde deveria ter ido, mas fui.
e nem o facto de a "designer de cabelos" ser estrangeira e não perceber metade do que eu disse me demoveu.

a meio do processo eu devia ter desconfiado quando a gentil nórdica fez uma careta ao espreitar para dentro das pratas, mas já estava e eu atrasadíssima só me queria despachar.
quando terminou eu estava RUIVA!
(eu pedi loiro, assim só uns fiozinhos, como se tivesse sido o sol, mais para as pontas...)

aguentei uma noite.
de cada vez que me via ao espelho, parecia que tinha uma touca alaranjada agarrada ao meu couro cabeludo.

de manhã fui a outro cabeleireiro.
um de bairro, tradicional, onde até há uma rica cadeira que faz massagens, pedir que me salvassem do pesadelo em que me encontrava.
muitos ahs de espanto depois (parece que a nórdica me encheu de manchas disformes em vez de madeixas bem feitinhas) lá deram início a mais uma sessão de pratas.

quando terminou eu estava LOIRA PLATINADA!
(eu pedi, que por favor me escurecessem o cabelo e me fizessem só uns fiozinhos, como se tivesse sido o sol, mais para as pontas...)

aguentei uma noite.
de cada vez que me via ao espelho, parecia que tinha posto a cabeça na lixívia.

na manhã seguinte fui ao mesmo cabeleireiro pedir que fizessem, POR AMOR DA SANTA, umas quantas nuances castanhas para disfarçar... eu juro que até na creche da R. me olharam de lado quando me viram "BLONDIE".
lá me fizeram o que pedi.

quando terminou eu estava 3 MADEIXAS MENOS LOIRA PLATINADA!
(as cabeleireiras não entendem que possa existir alguém no mundo que queira fazer nuances castanhas, não dá, para as suas cabecinhas amadeixadas só existe um tom de madeixas para um cabelo do tom do meu, loiras)

aguentei dias.
até porque com tanta ida ao cabeleireiro, o meu cabelo andou disfarçado de liso.
o pior foi quando o lavei e já não tive paciência para o esticar.
e logo num dia em que fui passear ao Guincho!
em dia de vento, no Guinho, a minha trunfa à solta!
loira platinada e 3 madeixas mais escuras, caracóis indefinidos num emaranhado cheio de volume, no Guincho, em dia de vento!
e lá fui eu a outro cabeleireiro, este dos mais conhecidos de Lisboa, a estação de serviço dos cabelos, onde eu já ía com a minha mãe em criança, e que merece um post por si só.
expliquei a odisseia de tons, e lá tentaram resolver.
resolveram, está um bocadinho melhor, o tom mais escuro, mas ainda com madeixas claras, assim numa espécie de "tigress", porque se se olhar bem tenho cabelos castanhos, ruivos, loiros, laranja, ah e 2 madeixas já muito palidamente rosas (sim da primeira vez cometi a loucura de as fazer... sem explicação).

se eu tivesse muita coragem, rapava.
se eu tivesse coragem cortava "à rapaz"
se eu jurasse esticar para sempre o cabelo, cortava pelas orelhas.
por agora vou aguentar.

(e ler este post da próxima vez que me passar pela cabeça ir ao cabeleireiro)

notas finais:
- eu nem gosto de ir ao cabeleireiro, 5 minutos depois de lá estar farto-me, arrependo-me sempre, mas não aprendo.
- a fotografia que ilustra o post foi tirada na esperança de "eu não estou a ver bem e se calhar não está assim tão mal", mas esticadinho e penteado é outra coisa e a foto não é assim tão realista.





Apr 13, 2008

quase 7 meses



não tarda faz 7 meses.
cresceu.
assim de repente.
já brinca muito.
"fala" que se farta.
chama por nós.
e eu acho que ela ainda não precisa de sapatos.
mas estes são o máximo, herdou-os da amiguinha M.
ontem andámos a treinar por casa, para ver se consegue ir à rua e não os perder.

Apr 11, 2008

muito mal habituada



de 1.9 TD 150 CV
para 205-junior-nem-sei-se-terá-um-pónei-sequer.

não temos direito a carro de substituição, o carro que eu entretanto vou comprar ainda não está disponível e alugar um não se justifica havendo substituto.

é é assim que o Queijinho volta à carga.
o Queijinho (ou Queijolas) é um carro mítico.
acompanhou a minha irmã durante cerca de 10 anos, há 10 anos veio para mim.
na altura já era velho.
acompanhou-me durante os anos da faculdade, carregou maquetes, colegas, papelada, aguentou-se sempre bem.
quem me conhece, conhece o Queijinho.

há uns 2 anos desisti de andar com ele, porque comecei a trabalhar no centro da cidade e andava de metro para todo o lado.
e porque o Q. começou a ter ataques e chiliques.

houve alturas em que pensei que estivesse possuído por uma alminha porque um dia à porta do Minipreço estacionei, tirei a chave da ignição e o Q. continuou ruidosamente a trabalhar.

mas esta semana voltou à carga, para me vir salvar.
amanhã vou mesmo para Mafra com ele, mas não estou a achar graça nenhuma.
quem o adora é a R.
vai ao meu lado, o que por si só é uma festa.
abana muito mais que o do pai.
cada solavanco uma gargalhada, duas gargalhadas, porque eu começo logo a rir (para disfarçar o embaraço se alguém olhar para nós)

eu sei que o que interessa é que ande.
mas habituei-me mal, porque durante algum tempo só conduzi os carros do G.
e eu que até era croma dos "xanatos" e defendia a classe.
mas quem aguenta de manhã?
para pôr a trabalhar tenho que ligar o ar, parece que vamos levantar vôo ou explodir a qualquer momento, tal é o barulho!
arrancar até arranca, mas de cada vez que carrego na embraiagem, o ronco que vem do motor é tão assustador, que Deus me livre!
mas o pior é a fumarada (para além das óbvias razões ecológicas), que vergonha!
e o pivete no interior a óleo queimado não ajuda nada!
ah e a embraiagem faz um barulho de porta a ranger, mas isto já acontecia há para aí uns 8 anos!

ontem, juro, que ía um palerma, num carro qualquer, a olhar e a gozar... só me apetece abrir a janela e gritar: "pelo menos o meu está pago, oh anormal!"

mesmo assim só me traz boas recordações!



Apr 9, 2008

a dívida



antes de pagar a minha dívida de posts ao meu blog,
antes de relatar babada os progressos da migalha,
antes de seja o que for,
o dia de ontem tem que ficar registado para (minha) memória futura.
o dia começou bem, até às 12h tudo parecia correr como sempre,
eu de um lado para o outro de carro, um entra e sai da casa de um e da casa de outro (o meu trabalho é assim, um verdadeiro reboliço).
até que chega a última visita do dia, e lá vou eu.
estaciono o carro, numa rua íngreme, mas não tão íngreme que me fizesse sequer pensar 2 vezes antes de sair do carro.
visita feita, blá, blá, saimos para o exterior da moradia, isto e aquilo, blá, blá...
- aquela carrinha é sua?
- hã?
- aquela ali.
-se me está a falar daquela (a única na rua toda!), preta (não havia mais nenhuma!), ENFIADA de traseira no muro DERRUBADO (gradeamento e tudo!) do seu vizinho, sim É MINHA!

reconheci-a porque parecia estar igual de frente, mas bem lá mais em baixo do que o sítio aonde a estacionei, e agora acompanhada por um casal dono de uma moradia por trás do sol posto!

-se calhar não travou o carro...
-travei... ( a correr pela rua fora) travei...
confirmado, travada a bandida resvalou rua abaixo (OK NÃO A ENGATEI!)
de repente e sabendo que o telefonema que tinha que fazer ao G. não ía ser agradável, munida de um profissionalismo e uma calma aparente, terminei o trabalho que estava a fazer, e só depois voltei ao local do acontecimento!

e foi nessa altura que eu perguntei, então e o dono do muro?
- ah foi almoçar.
- (e eu já a ver que era um louco furioso que me ía gritar impropérios por ter destruído a sua propriedade) hã?
-agora para resolver isso só depois de almoço.
e simpaticamente viraram-me costas, porque era hora de almoço, emprestaram-me um chapéu de chuva (porque eu não queria tirar o carro até chegar o reboque) e até já.
fiquei eu, 2 cães e a chuva.
e o muro partido e o gradeamento no chão.
depois de tratar de tudo, e já a ver que ficava para ali à espera eternamente do reboque, volta a animação, e lá aparecem os donos do muro de barriga cheia.

a-mulher-de-bata-que-anda-sempre-de-bata-e-pões-rolos-no-cabeleireiro-e-parece-que-nunca-foi-a-um-salão-de-beleza e o marido-honesto-trabalhador-construtor-de-botas-de-biqueira-de-aço-e-que-tem-uma-familia-que-faz-tudo-até-muros-destruídos-por-uma-louca-distraída lá apareceram.
de guarda-chuva em riste, lá me disseram que não fazia mal, que eram só meia dúzia de tijolos e que (toda a gente que eles conhecem) facilmente arranjam alguém para o reconstruir.

tudo bem... tudo bem até ao momento em que a-mulher-de-bata-que-anda-sempre-de-bata-e-pões-rolos-no-cabeleireiro-e-parece-que-nunca-foi-a-um-salão-de-beleza percebe que eu estou sozinha (mas havia de estar com quem? se calhar com ela que é a dona do MURO!)
- deixaram-na aqui? (referindo-se ao vizinho)
- eu terminei o que vinha tratar com o Sr.Tal
- mas olhe que se FOSSE EU (onde estão estas pessoas, quando necessárias para resolver assuntos???) não fazia isto, deixá-la aqui, assim!
- mas não tem problema e blá blá (onde vais mulher alucinada????)
e rua acima lá foi ela descompor o vizinho
- isso NÃO SE FAZ, DEIXARAM-NA PARA ALI ASSIM!!!!!
e BLÁ BLÁ BLÁ grrrrrrrrrrrrrr

lá resolvemos tudo
e novamente foram todos embora, ufa que alívio!!

mas claro que até chegar o reboque fui a atracção-da-terra-a-tonta-que-está-se-mesmo-a-ver-que-não-travou-o-carro... TRAVEI!

(a lata das pessoas, ou a curiosidade desmedida, até de carro paravam para saber, e aqui a tonta ainda explicava)

Mar 23, 2008

interferências

guinchos, gritos, berros, "ginetes", contorcionismo e mais guinchos.
foi assim o fim de semana inteiro.

socoooooooooooorro.

Mar 17, 2008

de volta



das férias.

de uma semana de novidades.

comeu bem, muito bem.

comeu tudo.

leite, iogurte e fruta, sopa, iogurte e fruta, sopa, leite.

portou-se bem, muito bem.
riu muito.
passou calor, muito calor.
porque a mãe exagera na roupa, e nos barretes, e nas luvas, e nas mantas...
aprendeu dois truques.
dar turrinhas e inclinar a cabeça.
não repete nenhuma das gracinhas.
é uma chata, não quer brincar comigo.


a viagem de avião para lá correu na perfeição.
adormeceu tanto na descolagem como na aterragem.
para cá já não correu tão bem.
um choro estridente numa mudança de fralda.
talvez fossem os ouvidos.

e hoje de regresso à creche.
nova fase de habituação.
vomitou 2 vezes.
podia ser manha, mas a pediatra refuta essa ideia.
pode ser que tenha dor de barriga ou algum vírus lhe esteja a causar mal estar.
por isso sopinha especial e leitinho dietético.
a mãe continua cansada.
andou lá pelas montanhas a ver se recordava os seus tempos de "juventude" a tentar esquiar.
ainda tive aulas para recordar que continuo uma trapalhona.
diverti-me, apesar de o meu horário livre de bébé ser à tarde e acabar por ficar sozinha.

de volta ao trabalho.

Mar 7, 2008

descanso

ou talvez não.

vamos estar por aqui durante a próxima semana.

amanhã vai ser um dia em grande.
a Migalha vai-se estrear do lado de fora da barriga numa viagem de avião.
e vão ser as nossas primeiras férias longe de casa desde o seu nascimento.
aventuras aguardam-se.

até já.

nota: mas lá porque está de férias não se livra das 2 sopas diárias, portanto na mala vai uma varinha mágica ( com muita pena minha a maquineta da chicco não cabe na bagagem).

Mar 5, 2008

enfim

hoje foi dia de ecografia.
lá fomos as duas tentar descobrir a causa da falta de apetite ou eliminar uma das hipóteses mais prováveis.

"a ecografia" ou "porque-é-que-eu-sou-tão-pateta-distraída-e-cabeça-no-ar":

enquanto esperávamos a nossa vez, eu desesperava com a minha alergia (que me deixa ranhosa, irritada, com o pingo, fungosa e sempre à beira do espirro, os quais vêm sempre em grupos de 30).
antes tomei um Xizal para me aguentar, mas não fez efeito.
portanto eu estava à beira do colapso, a achar que estava com o início de uma gripe, quase a desfalecer.
e por isso estava apalermada, surda e distraída com as minhas desgraças.
entramos para a sala, cumprimentámos a ecografista, bec bec bec bec bla bla bla bla lari lari laia litat neru bec bec bla bla bla, obrigada.
foi tudo o que percebi durante a ecografia, a R. portou-se bem, perguntámos à enfermeira se estava tudo, acenou que sim, adeus.

ainda estivemos a lanchar na cafetaria do hospital, aliás eu, porque a R. chorou, mas quando lhe dei o leite pouco bebeu.

e assim fomos para casa.
consegui pô-la a dormir a sesta e aproveitei e dormi também.

o pior foi quando toca o telefone e perguntam se era a mãe da Maria do Rosário.
- sim.
- então mas afinal onde está? falta a segunda parte do exame.
- hã?
- sim, depois do jejum dava-lhe o biberão e voltava à ecografia para ver se é o refluxo a causa do problema...
- hã?
- a médica não lhe disse?
- hã? ah o bec bec bec bec bla bla bla bla lari lari laia litat neru bec bec bla bla bla era isso? oh meu Deus!!!!
- agora só repetindo o exame... para a semana...
- oh não dá para ser agora????

e assim voltámos a correr ao hospital, a R. ainda aceitou 30ml de leite, e a ecografia foi feita.
parece que também não é refluxo.

e aqui a palerma idiota fez figura de tonta por ser tão distraída, oh burra burra!!

a falta de apetite continua, no entanto hoje comeu a sopa toda na creche, e antes de ir para a cama bebeu um biberão com satisfação (voltei a dar-lhe o S-26 AR).

um segredo (que escrito aqui deixa já de o ser): hoje cometi a ignorância, ou a insensatez, ou então até fiz muito bem, depende do ponto de vista, e juntei, é verdade, juntei sal à água do banho, e assim purguei-a ou purguei-me de más energias.
amanhã quem toma um sou eu.

Mar 4, 2008

amuada

ontem foi o primeiro dia na creche.
não correu mal, não correu bem, correu assim assim.
fomos os três logo de manhã.
a R. entrou na creche, recebeu muitos olás, sorriu muito, até ao momento em que percebeu que não conhecia ninguém.
beicinho, lágrimas, soluços.
mas lá foi ao colo da educadora, até à sua nova sala, conhecer os amigos.
olhou para tudo, com um ar sério (nada usual nela).
esteve sempre muito atenta.
estivemos um bocadinho a conversar e depois fomos embora.
nos primeiros dias vai só de manhã, para se ir habituando.
há hora do almoço lá a fui buscar.
entrei na creche, um silêncio absoluto.
comecei a subir as escadas, e começo a reconhecer um choro (incrível como soube logo que era a R.).
Rosarinho ao colo da educadora, a ser embalada e a chorar.

balanço do primeiro dia:
- estranhou;
- comeu metade da sopa (ontem foi um dia sim);
- cuspiu a fruta;
- não dormiu a sesta;

não correu muito bem.

mas o mais engraçado, ou sem piada nenhuma, foi a forma como me recebeu.
assim que me viu e veio para o meu colo, calou-se.
vestiu o casaco, e fomos para o carro.
no caminho nem olhou para mim.
eu falava e ela virava a cara, e sorrisos nem pensar, só um esgar muito ao de leve, tipo simpatia.

é verdade, a R. amuou e deixou de me falar.
passou o resto da tarde na casa da minha mãe, e para a avó sorriu e portou-se como sempre.
só ao fim da tarde é que me voltou a falar.

hoje já a fui encontrar mais bem disposta, mesmo assim ao colo da educadora.
toda entretida a ver os outros bébés.
hoje já não comeu a sopa, mas devorou a pêra (hoje foi um dia não)
e novamente amuda comigo.

será possível?

Mar 3, 2008

desaparecidas em combate

não tem sido fácil, mas isso já não é novidade.
a R. se comia mal, agora está muito pior.

eu estou à beira de enlouquecer ou então de deixar andar e não me preocupar mais.
ou fico louca ou passo a ser uma mãe conivente com as vontades de sua excelência.

não quer comer, não come.
mas isso seria o cenário ideal, e como é lógico eu não consigo, e daí a passar-me é um instante.

os dias têm sido longos, cheios de trabalho, uma loucura.
a R. ou tem um dia bom (no caso dela é mais ou menos) em que come 2 sopas e 3 colheres de fruta e mais uns biberões, ou tem um dia péssimo e não come nada.
ontem não comeu, ou comeu uma sopa à força, e mais nada.

hoje foi o primeiro dia de creche, telefonei para lá e claro que ainda nem tinha pedido nada.
está desde as 6h30 sem comer, enfim...

eu sinto-me a pior mãe do mundo.
quando deveria estar aqui a relatar o seu primeiro dia dos próximos 25 anos de vida académica (esperando que assim seja), só me queixo da sua falta de apetite.

estou mesmo exausta, não é cansaço, é mesmo exaustão.
não são as fraldas, nem os biberões, nem toda a logística que envolve um bébé que me cansam.
o que me deixa à beira de um ataque de nervos (no meu caso já tive mesmo o ataque de nervos) é esta falta de apetite e a sua constante insatisfação.

questão prática:
- análises feitas, não tem alergias alimentares, não tem infecções urinárias, tem os níveis todos normais.
- ecografria marcada para despistar (ou encontrar) a causa da falta de apetite.
- voltou ao leite especial (pepti-junior e ao alfaré) para verificar se seria intolerância à proteína do leite de vaca ou à lactose.

continua sorridente e a dormir bem à noite, este pormenor tira-me toda a credibilidade junto de outros pais quando tento desabafar, porque acham sempre que se dorme a noite toda é porque eu estou a exagerar, então tomem lá esta: "DORME A NOITE TODA, só acorda para beber o biberão ( e este bebe sempre todo, o que é outro mistério!), ADORMECE SEMPRE SOZINHA, desde o primeiro dia, ACORDA SEMPRE BEM DISPOSTA!"

nem tudo podia ser um drama.

e já tem 5 meses.

Feb 20, 2008

3 birras 3 sestas

já nem ligo, ou melhor ligo, perco o controlo, fico fula, finjo que não oiço, fico com peso na consciência.

que caramba, que caramba, que caramba.

chora, grita, esperneia, põe-se roxa, faz a "ponte" (literalmente), esperneia, adormece.

acorda.

ri, ri, ri, irrita-se, irrita-se.

chora, grita, esperneia, põe-se roxa, faz a "ponte" (literalmente), esperneia, adormece.

acorda.

ri, ri, ri, irrita-se, irrita-se.

chora, grita, esperneia, põe-se roxa, faz a "ponte" (literalmente), esperneia, adormece.

acorda. ri, ri, ri, irrita-se, irrita-se.

e eu estou a ficar careca, CARECA.
os meus cabelos estão lentamente a partir para outro mundo em tufos cada vez mais gigantes.
e os cabelos brancos são uma realidade assustadora.

já estou em tratamento.
um horror.

e gorda.
e chateada.
e com uma falta de estilo que "Deus me livre".
e chata.
e a eterna falta de paciência (que toda a gente dizia que ía deixar de ter mal a R. nascesse, pois!)

sou mãe há quase 5 meses.
há 14 meses o meu corpo deixou de ser meu.
a minha vontade deixou de ser minha.

onde é que eu estou?
já não me encontro.

Feb 15, 2008

pragas

a roupa suja, a roupa por passar, a roupa passada por arrumar, a roupa lavada, a roupa lavada por estender, a roupa seca por apanhar, a roupa enrudilhada na gaveta, a roupa ao pendurão nos cabides, a roupa que tem vida própria e não há maneira de desandar de cima das cadeiras, a roupa que ninguém usa - nunca mais vai usar mas não dá a ninguém nem deita fora nem queima na marquise ( um dia vamos ter um lindo terraço e não uma gaiola ilegal) - a roupa da criança, muito pequenina mas às remessas por todo o lado (e louca da mãe lá foi comprar, gastar um dinheirão, em mais mini roupas), a senhora da roupa que aparece para a levar e de repente já está de volta com a roupa passada (e que vem sempre às 21h, quando a Migalha já está quase a dormir e carrega na campainha como se o mundo fosse acabar!?), e tudo este desabafo para não falar de meias, sobretudo as que o G. usa com os fatos... todas iguais (sim, compra sempre iguais ou muito idênticas, na mesma côr, da mesma marca), e é minha a tarefa de as juntar em pares e dobrá-las (muitas, todas iguais, compridas como lombrigas gordas, um stress).

as vizinhas, que eu nem sequer conheço, nunca vi, que vêm a correr para o carrinho da Migalha, olhar para ela, mandar-lhe gafanhotos em cima, gritar-lhe palavras desconexas e lamechas ou então gritos de glória "É uma meninaaaaaaaaa", "olá princesaaaaaa" (uma das coisas que mais me irrita é esta mania dos princípes e das princesas), ai ai.

Feb 13, 2008

espirros, gafanhotos e sopa de cenoura

quem é que se lembrou que a sopa de cenoura era boa para os bébés?
não se lembrou que a meio pode haver espirros e gafanhotos cor de laranja por todo o lado, pois não?

a migalha espirra sempre 3 vezes a meio da sopa, e de vez em quando relincha bluuurrrrrrrrrr e eu fico às bolinhas cor de laranja.

e rimos muito as duas.

está a dormir a sesta, depois de um prato de sopa e 3 colheres de pêra cozida.

silêncio absoluto cá em casa.

a maquineta da chicco é muito jeitosa.

até gosto de fazer sopa.

qualquer dia faço lá uma para mim.

Feb 12, 2008

um desejo

e agora o que é que eu faço a todos os meus desejos, tipo casa nova, carro novo, muitas viagens, muito de muito?
quando a única coisa que realmente desejo é que a Migalha coma a sopa com calma, eu já só peço calma.
estou reduzida a um mini pratinho de sopa, com uma mini colherzinha, para convencer uma mini menina a comer mais do que só um mini pedacinho.

estou com uma "mini pachorra" para isto.

não é fácil não.

esta miúda vai começar é a ficar de castigo, tipo: "quando me vieres pedir para sair à noite, azar... tivesses comido a sopa toda aos 4 meses!!!"

Feb 11, 2008

o susto

o horror, o drama.

hoje já posso brincar com a situação.

ontem a Migalha caiu.

literalmente, de testa ao chão!

conseguem imaginar o que é um bébé de 4 meses virado do avesso no chão de mosaico da cozinha e um barulho seco de testa a bater no dito?

eu e o pai ficámos para morrer...

felizmente não foi nada, a cabeça é dura.

nem um galo, nem uma marca, graças a Deus.

chorou bastante, mas também se calou depressa, e ainda comeu uma pratada de papa!

e eu é que era a chata melga que estava sempre a apertá-la nos dois lados da espreguiçadeira... restam dúvidas ?

Feb 9, 2008

eu devia ter jogado no euromilhões

ninguém ía reparar, mas eu reparei, os dois últimos posts foram escritos exactamente à mesma hora, sem intenção... um dia a seguir ao outro.
eu devia ter jogado no euromilhões.

nota: momento parvinho de hoje à noite.

Feb 8, 2008

hoje

descobri uma maneira de não perder a paciência tão facilmente.
decidi que, fosse pelo que fosse, a R. não ía "conseguir" fazer-me perder as estribeiras.
de cada vez que começava nas ladainhas, eu (senhora de uma nova paciência infinita) dizia-lhe:
- hoje não há nada que me faça perder a paciência contigo!
assim a R. ajudou-me, mais do que ela algum dia vai imaginar, a superar um dia, e a superar bem.
desta forma descobri outra coisa, para a qual tantas vezes me têm alertado, encontrei as forças necessárias na minha filha, para que o dia corresse melhor que ontem.
amanhã já só tenho que me lembrar desta inspiração.
e deu mesmo resultado.

outra coisa que descobri (e um bocadinho para meu "terror"): valeu a pena ter no repertório 2 letras de canções pimbas decoradas, então não é que a Migalha adorou?
deve ser a minha cara de parva e os trejeitos que faço para as cantar (voz=zero, ouvido=moco, resultado=explosivo)

No meio da cantoria popular (fica melhor assim, para não ofender os verdadeiros artistas da nossa praça) uma pratada de papa, ora toma lá!

Desde aqui o nosso obrigado a todas as outras mães "cantoras", "artistas de variedades", "malabaristas", que contribuiram com os seus comentários para o sucesso desta nova abordagem ao momento mais temido do dia, a hora da papa (sopa)!

a televisão é que ainda não, e por agora continuo na mesma, não pretendo tão cedo apresentá-la à R.(mas o que é certo é que das vezes que consegue olhar para as imagens fica vidrada).

e amanhã é outro dia.

Feb 7, 2008

ponto de situação

hoje o dia acabou menos caótico.
hoje era dia de sopa (fazemos o esquema alternado, para controlar possíveis alergias), mas eu fiz batota.
a vontade era tão pouca que fiz a papa, mas como a meio me arrependi, sobretudo porque não quero a Migalha insuflada de papa (tipo boneco da Michelin), acabou por comer "sopa empapada", ou "papa ensopada", depende do ponto de vista.
aqueci a sopa e meti lá dentro duas solheres de papa, ficou uma argamassa doce de cenoura, alho francês, batata e papa.
e comeu, com a vontade possível que lhe é característica.
da próxima junto fruta em vez de papa.

da primeira vez que lhe dei papa à colher, sentei-a ao meu colo.
desisti logo.
enquanto não compro a cadeira para alimentação, come sentada na espreguiçadeira de frente para mim.
da primeira vez utilizei logo a colher, mas com grande ajuda da chucha, para que se habituasse ao vai e vem da colher, mas com o conforto de chuchar.
agora já domina bem a colher e a comida na boca, não cospe muito (apesar de "relinchar" imenso), o problema é que às vezes parece que se esquece e desata a chorar e só se cala com a chucha na boca.

passa o tempo agitada, mãos e braços sempre a mexer, nunca está quieta, só está bem na rua, não adormece com o carro em movimento a não ser que lhe dê o sono, fala fala fala grita grunhe, põe-se vermelha.
adora estar ao colo mas sempre na vertical a ver tudo, toma atenção a tudo, não escapa nada, não liga nada a colo "miminho", quer é movimento, ser abanada, cócegas, fingir que voa.

ri, pode estar no meio da birra mais miserável, que mesmo assim consegue sempre sorrir.

nunca falo muito da pediatra, ou das suas idas à consulta, porque graças a Deus tudo esteve sempre dentro do normal e porque tenho confiança absoluta.

a pediatra é a minha irmã, a tia dela, por aqui estou no mais absoluto descanso.

desejo-a maior porque o que mais me custa nos bébés é não entender o que querem, o que está mal, uma criança mais crescida pelo menos fala, nem que seja patetices, julgo que sera mais fácil de entender, mas claro posso estar enganada.

a maioria dos nossos "problemas" ou "dramas" diários, são culpa minha, eu é que devia ser mais paciente e sensata, mas debato-me o mais possível e não sou capaz de me acalmar a meio de uma crise, chego a gritar comigo, a zangar-me por ser tão estúpida (e digo mesmo estúpida, porque é o que me considero na maioria das vezes, porque perco a racionalidade).

a Rosarinho é uma graça de Deus, como qualquer bébé, só está a ser bébé.

temos momentos muito bons, e são mais que os maus.

damos muitas gargalhadas, adoro ouvi-la rir com as minhas patetices e sermos patetas as duas.

adoro vê-la brincar com o pai.

adoro como ela olha para nós.

adoro como ela olha para os nicos e eles para ela.

e quando digo à minha mãe ou à minha irmã que estou farta e elas me dizem "se não a queres dá-ma" compreendo que já nada seria possível sem esta Migalha.

e obrigada a quem nos lê e deixa conselhos e perde um bocadinho do seu tempo para nos confortar, são todos bem vindos, analisados ao detalhe e colocados na prática.

bom fim de semana

dito e feito

a Migalha começa a ir à creche a partir de Março.
a semana passada passei por uma creche, a que nós mais queriamos não tem vaga, tirei o número, ontem fiz a visita e hoje conseguimos a vaga que (SORTE DAS SORTES) estava disponível.
mas os dramas continuam... hoje de manhã (as manhãs são de loucos, quem me vê a sair do prédio deve achar que estou de partida para alguma viagem, tal é a quantidade de malas, malinhas, sacos e saquinhos... que nervos) gritaria por causa de um biberão, e novamente gritou ela, gritei eu, qualquer dia tenho os vizinhos a achar que na nossa casa somos todos doidos.
e o G. no Porto...

Feb 5, 2008

difícil

é muito difícil ser mãe de um bébé de 4 meses.
trabalhar sem horários, o que implica trabalhar pela noite dentro, ou ter a sensação de nunca parar de trabalhar, porque inclui estar a trabalhar de manhã, à tarde e à noite, ao sábado e ao domingo, aos feriados...
para cúmulo o G. voltou ao Porto, ou seja, 2 dias por semana não está cá.
por agora são 2 dias... da primeira vez, no nosso primeiro ano de casados era só por semanas, ficou 5 dias por semana durante 8 meses... a ver vamos.
a creche é uma opção cada vez mais a ser considerada, o mais depressa possível.
a R. continua péssima para comer, aceito a ideia de que não gosta de comer ou algo se passa, vamos voltar às análises.
começámos com a papa, e até correu bem, dentro do possível.
a pediatra avisou que com a sopa poderia ser mais difícil.
não é difícil, é o drama!
agora deu em fazer umas birras desgraçadas... parece que começa a ter fome, eu vou aquecer a sopa, para que seja tudo feito com muita calma, as 2 primeiras colheres cospe, engole, tudo bem, pode estranhar o sabor.
mas de repente desata num choro convulsivo, nada a acalma, tento com o biberão, nada, descabela-se, grita, parece que está a ser torturada... eu perco a paciência.
fico tão enervada, mas tão enervada.
não tenho mesmo paciência, fico fula.
a maioria das mães vai achar que eu sou a pior pessoa à face da terra, mas a minha paciência é nível zero.
eu sinto-me muito culpada, mas não consigo evitar, desejo-a mais crescida, não tenho paciência para bébés, não gosto desta fase, não gosto de me sentir assim, mas não consigo evitar.
tenho terror que ela perceba, que fique de alguma forma afectada, mas é superior às minhas forças.
faço o que posso.
a semana passada ficámos sozinhas a semana toda, correu bem, mas esta semana já está a começar mal... não dorme nada durante o dia, a não ser que esteja na rua.
em casa é para esquecer, está agitada o dia todo... persegue-nos o fantasma da hiperactividade...não quero acreditar... mas acho que a R. é uma criança hiperactiva...
a única coisa que continua a correr como sempre são as noites, às mil maravilhas.
vai para a acama às 9, acorda às 4 bebe o biberão (sôfregamente) e adormece até às 7 ou 8h, acho que não me posso queixar, foi assim desde que nasceu.
tenho tanto medo de ser uma má mãe...
hoje foi um dia menos bom.

 
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